Muito se fala hoje sobre como tornar o mundo melhor, mas o que as pessoas esquecem é que é necessário nos tornar melhores primeiramente.
O problema do mundo como está, onde poucos tem tanto enquanto muitos tem quase nada, onde não ligamos para o nosso futuro quando agredimos o meio ambiente, onde o lucro vale mais do que vidas e as pessoas se afundam, indiscriminadamente, em depressão e ansiedade e viciam em drogas (ilícitas e licitas) para "melhorar sua vida", todos esses problemas, não são as pessoas, não é a falta de conhecimento de quem somos e pra onde vamos, não é a falta de esta ou aquela religiosidade ou ideologia, muito menos o mundo está mergulhado em caos por essa ser uma condição inata da humanidade. Na minha opinião, tudo é fruto do egoísmo, da individualidade.De pensar em si mesmo como uma unidade autônoma na humanidade, autossuficiente e auto-realizável, em não ver as pessoas como companheiras do mesmo barco, como comunidade.
Uma das corroborações dessa minha opinião é o grande número de pessoas que preferem viver só, preferem se isolar no seu próprio mundo, de sucesso (ou o que se considera sucesso). Você pode alegar o lado positivo dessa individualidade: independência, produtividade, menor número de conflitos interpessoais (?), uma vida mais moderna e menos dependente das mudanças de temperamento dos outros seres humanos, conhecidos por sofrerem crises e por terem altos e baixos. Mas eu te apresento os contras, que eu acredito serem ainda maiores: solidão, impaciência, individualismo, egoísmo e ambição sem limites. Olhe ao seu redor e veja essas características entre as pessoas que você conhece: é certeza que encontrará muitas delas. Hoje o que mais interessa pras pessoas é o imediato, é o que brilha, é o que parece ser mais fácil. Falta maturidade em ver que tudo tem dois lados, que não há como aceitar apenas o lado bom da convivência com as pessoas e renegar o ruim.
Isso se torna ainda pior com o mundo online em que estamos entrando, onde os limites entre o mundo real e o mundo "inventado" estão cada vez menos claros.Neste novo mundo das redes sociais onde todos são sorridentes, dos jogos onde a maior interação que se tem é com pessoas que, muitas vezes, nem sabemos os nomes reais, as pessoas não valorizam mais a simplicidade e a falibilidade das pessoas. Não interessa a continuidade, a história de vida, mas sim os resultados. A comunicação, que antes era um conjunto de ferramentas que tinha como principal proposito juntar pesssoas hoje está sendo usada para que nos afastemos, para que sejamos "cheios em nós mesmos". Estamos cada vez mais pertos um dos outros, mas de costas uns para os outros.
Pessoalmente, me considero uma pessoa que está incluída nesse individualismo todo, nessa mentalidade de que a independência de estar só é boa, apesar de ter a consciência e tentar sistematicamente a aproximação com outras pessoas. Pessoas são problemáticas, pessoas te machucam, pessoas morrem, se vão, te decepcionam, podem te deixar triste. Mas qual seria o sentido da vida em viver em mundo séptico e fechado, onde eu não precisasse de nínguem para aprender, para se alegrar, resumindo, para ser uma pessoa melhor. Não precisamos de mais discursos, não precisamos de mais ideologias e nem precisamos de uma busca incessante por novos líderes, e que sejam fortes. Precisamos parar de olhar para os nossos próprios umbigos e vermos que existe todo um mundo de gente diferente lá fora. E isso é tão lindo que abrange não só questões de relacionamentos pessoais, sejam familiares ou de amor, mas também socialmente, culturalmente, religiosamente, ambientalmente e tantos outros.
Pra terminar, não tem como não citar "wave", do tom: "Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho."
Abraços!
Ps.: Claramente inspirado nesse texto (:
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