quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ócio

Depois de um tempo sem colocar nada por aqui, vi algo num do blogs que eu mais gosto, que costumo ler com frequência, o Liberal Libertino Libertário, e achei legal a ideia. Acho que vou tomar um pouco disso pra minha vida. Lê ai:


"Nunca deixa de me abismar como as pessoas simplesmente não têm tempo para si mesmas – por escolha própria. Trabalham 15 horas por dia pra ganhar R$5.000 por mês e gastam cada vez mais e trabalham cada vez mais, e a roda nunca pára de girar. A possibilidade de trabalhar a metade do tempo pra ganhar a metade do dinheiro, de encaixar seu padrão de consumo em R$2.500, de ter meio dia pra si, para seu crescimento pessoal, para seu ócio criativo, nem que apenas pra ficar quatro horas por dia na praia, isso nunca passa pela cabeça da maioria das pessoas.


E me lembro dos portugueses recém-chegados ao Brasil que observavam os índios de uma tribo saindo juntos para derrubar 20 árvores. Passavam o dia nesse serviço, voltavam para aldeia com as árvores e ficavam uma semana em suas redes, coçando o saco, até que a aldeia precisasse de árvores de novo. E os portugueses, fazendo contas, desesperados com tanto desperdício de produção: mas se os homens da aldeia derrubam 20 árvores em um dia, quer dizer que em uma semana derrubariam 140, em um mês, 560 e.... Interrompe o índio: mas o que é que nós vamos fazer com 560 árvores? A tribo só precisa de 20. A gente vai, arranja as 20, e fica o resto do tempo descansando...


O pior: por centenas de anos, essa anedota foi contada em livros de histórias e viagens como exemplo da burrice e indolência dos índios e não, como deveria ser, do seu gênio.


 Odeio trabalhar. Trabalhar desenobrece. Trabalho não é virtude. Trabalho não é intrinsecamente bom. Trabalho é uma maldição. Trabalho é algo que eu faço o mínimo possível, só pra pagar as contas mais urgentes e olhe lá. A cada trabalho de consultoria que eu pego, eu só me pergunto o seguinte: quantas horas de ócio isso vai me comprar?."

As vezes a nossa preocupação parece tanto ser produzir, produzir, produzir, que colocamos a vida no piloto automático e esquecemos do porquê fazer as coisas, do propósito de uma vida tão corrida. A vida não comporta tanta pressa, tanto esforço que não vai gerar resultados, ou pelo menos resultados úteis, que torne o nosso dia a dia melhor. Era pra ser leve e prazeroso, equilibrado entre fazer e não fazer nada.
Hoje me surpreende como as pessoas fazem plano pra tudo, até pras férias, estão sempre prudentes e precavidas, não deixam margem nenhuma pra algo dar errado. Algo dar errado não é um desastre, as vezes é preciso despreocupar um pouco. Temos que saber aproveitar o ócio, deixa a mente descansar e não cair na falácia de que devemos levar a vida em linha reta, sem olharmos pros lados, sem nos preocuparmos com coisas que parece que não possuem tanta importância, mas no longo prazo é o que nos faz meditar, pensar, planejar o futuro e seguirmos um caminho, que pode ser lento, mas é mais seguro.

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