Músculos, ossos, tendões, sangue, pele, alma,
mais um dia sem nenhum arranhão,mais uma manhã, mais uma chance.
E desse lado de cá eu vou vivendo, não só existindo.
Desafiando os tapas que a vida dá e retribuindo na mesma medida,
"rindo da cara do perigo", escolhendo viver o mais livre possível que meu livre-arbítrio me permite.
Cabeça sempre leve, despreocupada com pressa, ocupada com a esperança, peito sempre cheio dela,
persistência, busca de sabedoria e sentimento de humildade em apreciar as pequenas coisas.
Decisões às vezes confusas, escolhas quase sempre equivocadas, quase nunca racional.
Palavras que servem mais como um nocaute do que como um chamego,
olhares de reprovação sobressaindo aos olhares de ternura.
Busca-se equilíbrio entre a intempestividade e a frieza, entre o toque e a palavra,
Busca-se consciência para ficar entre o não-ser vazio e o não-ser cheio de si.
Eu erro, eu caio, eu morro, eu acerto, eu levanto, eu faço o que quiser,
e faço tudo isso todos os dias. Mas não consigo me arranhar. Nunca me vejo arranhado.
E à tudo isso, às minhas ideias, aos meus atropelos, aos meus sonhos não guardados em caixinhas, eu agradeço, eu prometo, eu me emociono. E no fundo eu me acho imortal demais.
Apesar da minha cabeça saber que eu vou morrer a qualquer hora, em qualquer esquina, com qualquer pessoa, fazendo qualquer coisa, eu não me guardo em caixinhas.
Meu peito diz que eu vou viver pra sempre. Nem que eu tenha que renascer em cada poesia, em cada canção, em cada novo amigo. Tenho uma nova face a cada queda.
Eu não acredito em perda, nem de tempo, nem de gente, nem a minha própria. Na vida tudo se acha.
Poesia de ontem não me alivia, festa de ontem não me alegra, amigos de ontem não me bastam.
Eu sou o novo, eu tenho que ser inédito, imprevisível, inconquistável, impossível.
Nem que pra isso eu tenha que enterrar sonhos, pessoas, personalidades, a mim mesmo, a todo momento, como agora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário