Não sei se sabem, mas ontem foi o dia da consciência negra.
Eu sou negro, assumidamente. E me perguntam bastante sobre o que é ser negro.
Acho que ser negro é principalmente o "assumidamente". Explicando: ser negro é além de uma cor de pele, mais que um tipo de feição física/facial. Ser negro é ter orgulho das suas origens, ter orgulho de quem você é, da sua raça. É se emocionar com o sofrimento do passado e do presente do seu povo. É pensar que você é diferente, nem melhor nem pior.
Eu costumo ouvir que é errado separar as pessoas em raças, etnias, porque somos todos os mesmos. Mas esse é um equivoco que considero racista, já que não somos iguais. Brancos e negros, índios, asiáticos, etc não são iguais. Somos diferentes, mas podemos conviver com essas diferenças, respeitá-las e aprender um com os outros. A homogeneização, uniformização de uma sociedade é uma ideia racista. O certo não é esquecer o passado de agressão que nós, negros, sofremos, mas sim usar esse passado para o nosso fortalecimento como povo. É lembrar que nações inteiras, princípes e reis estão entre nós, com a injustiça por serem aprisionados, humilhados e mandados para uma terra distante, que pouco lhes acolheram. Ser negro é lembrar que muitos dos nossos irmãos são ainda escravizados, marginalizados, humilhados, menosprezados.

Não se enganem, o racismo existe. Existe no sorriso velado, nos olhares dentro das lojas, na ideia de que os negros são sempre subalternos. Na maioria das vezes, o racismo se mostra inconsciente, uma construção cultural que vai além da vontade das pessoas e atinge um nível de "tranquilidade" no nosso dia a dia que me choca. Não me ofendo com piadas, com brincadeiras, até mesmo com xingamentos, porque na maioria das vezes esses não tem a intenção de me ofender. Me ofendo é com os elogios que contém um fundo racista, as gentilezas forçadas por gente que claramente não gostaria que você estivesse do seu lado, mas sim em um senzala. Eu vejo o racismo quando entro em uma loja e os atendentes me olham como se eu fosse roubar algo, eu vejo racismo quando estou andando na rua e as pessoas seguram suas bolsas, eu vejo racismo quando abro a boca em um lugar público e falo mais ou melhor do que as pessoas esperam de um negro, eu vejo o racismo pelo conceito de beleza reinante, que exclui os traços, trejeitos e até a própria cor de pele. No entanto, eu acho que cabe aos próprios negros lutarem contra o racismo, primeiramente dentro de si mesmos, afirmando a sua origem, afirmando a sua competência e demonstrando que podemos ser tão bonitos, capazes ou até mais que os outros.
Ah, e quanto a imagem, eu considero o Barack Obama um exemplo, um simbolo de que podemos almejar e conseguir um papel cada vez maior de destaque em todas as áreas, sem precisarmos nos sujeitar à esteriotipos (jogador de futebol, músico, etc). É um exemplo de que depende apenas de nós pra conquistarmos o nosso espaço.
é isso, abraços!
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