quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Parede de Papelão

Oi.
Hoje vim falar sobre um filme que vi sábado passado. O novo de almodóvar, a pele que habito.
Já vou falando desde começo que esse texto deve ter alguns spoilers, mas é lógico que eu não vou contar tudo, certinho, até mesmo porque eu não lembro hehe. Quando eu for dar spoiler, eu escrevo #spoiler# e você que não viu, pula a parte (ou seja, o texto quase todo). Mas eu acho que é mais uma análise do que eu entendi do filme e do que eu considero cinema, então todos podem ler essa parte. Mesmo assim, é melhor que você tenha visto o filme, óbvio. Corre e vê.



Bem, eu não sou muito daquelas pessoas que curtem um filme porque o diretor é foda, conhecido ou simplesmente porque o lisandro nogueira falou que é legal. Geralmente a primeira coisa que eu julgo em um filme é a foto do cartaz. Se tiver uma foto legal, uma imagem contundente, é provável que o filme seja legal. A segunda coisa eu acho que é a quantidade de salas dubladas que o filme tem. Sim, quanto mais salas dubladas, mais forte é o sinal de que o filme é uma grande merda. E o terceiro sinal(não é bem um sinal, mas um atestado de que eu gosto muito de cinema) é que tento ver o maior número possível de filmes, mesmo que alguns pareçam ruins. Pra isso eu não preciso gastar milhões, já que sou um inveterado frequentador assíduo de cinemas do centro. Eu odeio cinema de shopping, suas filas, seus frequentadores formados por alunos de colégios particulares querendo matar aula e comendo lanche do bob's. Eu gosto mesmo é de cinema antigo, de sala grande, com ar condicionado mais ou menos, pipoca barata e, o mais importante, ingressos de menos de 2 dígitos. Mas isso é assunto pra outro post.

Pra mim, cinema é a arte mais expressiva, de certa forma, no sentido de que em 2 horas mais ou menos uma pessoa consegue te contar uma história, as vezes tão cheia de nuances e de intertexto que nem um livro, um quadro ou uma foto ou até mesmo um quadrinho conseguiria passar. Esse intertexto, nuances e detalhamento ocorre quando o filme é bom, óbvio. Quando o filme é ruim, o cineasta gasta mais ou menos 2 horas tentando te convencer a ver outros filmes dele,gastar dinheiro com a franquia, etc. E na maioria das vezes esse convencimento vem de emoções fajutas, cenas rápidas e atores de hollywood.

Bem, voltando ao almodóvar, esse filme é um bom filme. O intertexto dele e a capacidade de contar uma história numa linearidade bem fiel ao cinema é uma coisa incrível. Sabe quando você entra na sala de cinema e o filme te enfeitiça ? Então. Eu devo tá fazendo uma propaganda absurda desse filme, mas eu juro que não tô recebendo nada por isso. Mas é que eu sai de lá pensando tanto em como ele deve ter construído aquele filme que eu posso te dar certeza que parte de mim ficou naquele filme (#spoiler# e não foi meu pênis #spoiler#)

Primeiramente, #spoiler# o modo como o começo do filme distoa do final do filme é absurdamente legal. Porque no começo do filme a Vera é simplesmente uma pessoa presa numa casa (e uma baita casa, que tem até laboratório no porão e cavernas pra prender seus inimigos pessoais), no meio se torna uma vítima de sequestro e no final se torna, momentaneamente, uma pessoa que quer estar ali. É o cúmulo da sindrome de estocolmo aquele negócio.

Segundamente (se é que isso existe), é interessante ver a mudança do doutor lá que eu esqueci o nome, o antonio banderas. Desde o começo do filme fica latente que ele não é normal. Mas no começo do filme eu achava que ele era um médico antiético que tava testando pele em uma cobaia VOLUNTÁRIA. Depois eu fico sabendo que a cobaia não era voluntária. Depois eu fiquei sabendo que não era pele, era o corpo TODO. Depois eu fiquei sabendo que ele transava com essa cobaia porque a cara dela parecia da mulher dele que MORREU. Ou seja, esse cara é um maluco na mais plena acepção do termo. E antes de ser contada a história do Vicente, eu achei que ele era ainda mais maluco, já que eu pensei que a Vera era a FILHA dele, que tinha se queimado, sei la, e ele tirou a memória dela.Convenhamos, trocar o rosto da sua filha pelo rosto da mãe dela pra transar e prender ela num quarto cheio de câmeras é bem mais bizarro do que sequestrar um cara, cortar o pinto dele e praticamente transformar ele na sua falecida esposa. Ou não ?

Terceiramente, e fechando o ciclo das personagens principais, a velhinha me chocou pela ideia de que tem gente que realmente faz aquilo. Tem gente que realmente fecha os olhos pras sacanagens que as pessoas amadas fazem porque não conseguem viver com a falta que elas proporcionam. No meu dicionário, o nome disso é fraqueza. #spoiler#

Resumindo o filme, sem spoilers: Todo mundo ali é bem maluco. Aquele filme é bem maluco, ele te deixa meio que com um nó no cerébro, de tanto esforçar pra entender as
maluquices do maluco do Almodóvar. Mas qual é o sentido de ver um filme só pra ver porrada e carros virando robôs alienigenas sem muita explicação lógica(essa ultima foi pra você @joia_rioshi)? Que venha mais filmes assim, nem que seja no bouganville e suas paredes de papelão que me obrigam a ouvir o som do filme da sala do lado (já falei que odeio cinema de shopping ?)

Nenhum comentário:

Postar um comentário