sexta-feira, 2 de março de 2012

Mendigos são pessoas iguais a você.

E ai, beleza ? Tem muito tempo que eu não posto nada aqui que não seja melacuequice, mas eu juro que esse blog não tem intenção só disso. Acho que é mais porque é trabalhoso escrever textos grandes e tal. Mas hoje deu vontade, então aqui estou.

Eu tô mais ou menos 1 mês com esse assunto engavetado na minha cabeça, mas eu não escrevi tanto por preguiça quanto por tamanha aversão a esse tipo de polêmica. Eu quero falar sobre essas recentes (e outras nem tanto) agressões a mendigos, moradores de rua e outras pessoas de um modo geral (sim, moradores de rua são pessoas, apesar de muita gente achar que não).

Nós nos deparamos com esse tipo de violência cada vez mais frequentemente. Pelo o que eu lembro, só em fevereiro foram noticiados um quatro casos pela grande imprensa.Você pode argumentar que tais casos são esporádicos, isolados e que eu só estou escrevendo esse texto porque sou influenciado por esses casos televisionados. Mas é só olhar um pouco lá fora que você vai ver que as coisas estão piorando.

A coisa tá ficando feia, as pessoas tão ficando cada vez mais xenófobas, intolerantes, ou simplesmente sem-noção mesmo. Culpe a crise econômica, culpe a queda da instituição família, culpe o capitalismo, culpe até mesmo o apocalipse eminente dia 21/12/2012, mas não negue que as pessoas estão frias, calculistas e cruéis. Uma pessoa que reúne um grupo de amigos pra colocar fogo numa pessoa que dorme numa praça não tem a minima consciência de que não tá colocando fogo num pedaço de papel, nem mesmo num animal (o que já seria crueldade, mas "menos cruel", se é que isso existe), mas sim num semelhante, num ser pensante, que tem metas de vida, que tem uma história e talvez até mesmo pessoas que a ama.

Acredito que as pesssoas hoje em dia não se importam se as outras pessoas existem ou não. Não importam se a pessoa que elas estão batendo, com seus grupinhos na maioria das vezes de classe média, é tão importante quanto elas. Perdemos a consciência que o ser humano é importante. Um exemplo disso é que existem mais repercussão quando um animal é morto, abandonado, etc. do que quando uma criança é morta, abandonada, passa fome, etc. Nada contra os animas (adoro cachorrinhos, juro), mas as pessoas estão descrentes na capacidade das pessoas de serem únicas, relevantes, de serem insubstituíveis. Acham que os problemas das pessoas, de falta de moradia, alimentação adequada, tratamento de saúde, entre tanto outros, são problemas de um Estado ou são problemas dos outros e não delas. "Cada um que viva a sua vida e se você não consegue ser "bem sucedido" com ela, que morra. Eu não preciso te ajudar, isso não muda nada na minha vida"

Pois é. Não vai influenciar muita coisa na sua vida você ajudar ou não alguém (menos praqueles que aliviam sua consciência ajudando os outros, que é rídiculo, mas é assunto pra outro post), mas você deve fazer isso simplesmente por ser a coisa mais lógica a se fazer quando você é criado pra viver em sociedade, pra fazer parte de um todo que se ajuda solidariamente.

Um sinal que não somos mais condicionados a isso pela nossa principal instituição, a família (que está em queda livre), é que quando alguém tenta ajudar, ele se torna um herói. Um exemplo é um rapaz (não sei o nome, nem tô com vontade de procurar) que evitou que uma pessoa fosse espancada numa praia do rio, no começo de fevereiro. Ele se ferrou bonito, quase morreu, teve ossos quebrados, teve que fazer cirurgias reconstrutivas e tal e, o mais letal, foi chamado de herói. Ele não é um herói. É só uma pessoa que fez o seu papel, lindamente é digno dizer, mas apenas seus papel como membro de uma sociedade que deveria pelo menos procurar satisfazer dentro de si mesma as suas necessidades. Se alguém é violento com outro alguém, é necessário alguém intervir, e esse é o papel daquela pessoa, não é uma coisa extraordinária. Se você não faz isso, você tá é em defícit, e se você faz, tá pagando uma "dívida social" (gosto muito dessa expressão).

"Tá, nicolas, mas qual é a solução ?" Primeiro: Não acredite em gente que dê solução pras coisas. Eu não tenho a minima ideia de como a gente pode se tornar pessoas melhores e aptas a viver numa comunidade que não seja como a nossa, onde pessoas morrem em condições estupidas simplesmente porque "não temos tempo" pra ajuda-las de alguma forma, mas temos tempo pro chat do facebook. Segundo: Mesmo que eu tivesse todas as soluções dentro da minha cabeça, eu não falaria. Porque eu não escrevo esse blog pra sentar num trono e falar pra todo mundo o que eles deveriam fazer pro mundo ser melhor. Eu não acredito que o mundo deveria ser assim, onde apenas poucos falam pra muito quais são os melhores caminhos, mesmo que esses poucos sejam os melhores. Eu acredito num mundo onde todos sejam pessoas pensantes, pessoas conscientes de seu papel social, não somente por um dia da semana (ou do ano) escolhido pra distribuir brinquedo na creche ou ligando pro criança esperança, mas sim 24 horas por dia e 7 dias por semana, 365 dias por ano (e 366 esse ano, que é bissexto).

Acredito que se todo mundo tiver a consciência de que a pessoa que tá na rua é tão importante quanto você nessa engrenagem social que vivemos, o mundo vai ser melhor. Talvez ela não tenha o seu QI, talvez ela não fale nem português direito, muito menos é fluente em alemão, mas ela é importante sim. Ela tem uma experiência de vida que você nunca teve e nunca terá, ela conhece coisas que você nunca viu, e sequer sabe o que é. Ela sabe fazer coisas que você não tem a minima habilidade pra fazer. Então se eu posso dar um conselho, é: desce desse salto alto, abaixa um pouco o vidro do carro e aprenda mais com as outras pessoas, sejam elas quem sejam. você não é o melhorzão não. É só mais uma peça de um quebra cabeça onde todas as peças são igualmente relevantes.

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