domingo, 2 de dezembro de 2012

Rua

Mais do que saber acadêmico, é necessário gente que saiba e que sinta os anseios que vem do povo, dos desprovidos, o anseio dos forte que, muitas vezes, não valorizamos. Não se molda seres humanos numa carteira.
Há de se ter um bom coração, doce.

A voz dos silenciados de cada esquina que percorro, é a minha voz. É essa a minha vontade de gritar, a sensação de ser um deles é a que eu, mais fortemente, sinto.
De que vale a "enciclopedicação" por si mesma se falta alma, a amplitude que é saber o que aflige o outro ?

Minha escola foi ouvir os velhos contarem a sua história, minha faculdade foi saber o que se passa pela cabeça dos pedintes, das putas, do bêbados, dos ladrões, dos sem teto.
Escrevo com orgulho no meu currículo: sou pós-graduado numa mesa de buteco, numa roda de samba, na hospitalidade de quem não tem nem pra si, doutorei na gratidão de não desprezar ninguém.

O que me tira o sono são os choros daqueles que nada tem. Minhas lágrimas são deles, e as verto por eles, somente. Eu ainda sonho em mudar o mundo.
Minha história é a deles, do seu sofrimento.
O meu livro é a rua, a minha biblioteca é o mundo.

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